domingo, 22 de outubro de 2017

Tempo de lavar os sacos

O bom tempo está acabar e a atividade dos morcegos está a diminuir cada vez mais e mais rapidamente, até entrarem em hibernação. Em modo de encerramento da época de capturas, faremos uma curtíssima resenha sobre os trabalhos de capturas realizados este ano.


Assim, foram amostradas 13 quadrículas UTM 10X10 (4 das quais novas quadrículas amostradas), distribuídas por 8 concelhos, desde Bragança a Castanheira de Pêra que permitiram capturar 17 espécies:
Rhinolophus euryale
Rhinolophus hipposideros
Myotis bechsteinii
Myotis blythii
Myotis emarginatus
Myotis escalerai
Myotis myotis
Myotis mystacinus
Pipistrellus kuhlii
Pipistrellus pipistrellus
Pipistrellus pygmaeus
Hypsugo savii
Nyctalus leisleri
Eptesicus serotinus
Barbastella barbastellus
Plecotus auritus
Plecotus austriacus


 Pipistrellus kuhlii

 Nyctalus leisleri

 Barbastella barbastellus

 Nyctalus leisleri

 Myotis mystacinus

 Myotis daubentonii

 Barbastella barbastellus

Miniopterus schreibersii

domingo, 1 de outubro de 2017

Porque é que os morcegos dormem de cabeça para baixo?


Quando se fala sobre morcegos como os mais pequenotes, uma das perguntas mais frequente é: Porque é que os morcegos dormem de cabeça para baixo?



De facto, para os humanos dormir de cabeça para baixo é incompreensível. Então qual é a principal razão pela qual estas criaturas optaram por passar o dia dormindo de cabeça para baixo e passarem todo o inverno nesta postura? A principal razão é para diminuir a possibilidade de predação, esta posição é uma estratégia evolutiva que permite escolher locais altos ou pouco acessíveis onde os predadores terrestres não são capazes de aceder. Esta postura tem outras vantagens para evitar predação, entre as quais, poderem entrar em voo muito rapidamente, visto que estando em locais altos, apenas têm que se deixar cair para entrarem em voo.



Outra pergunta que a pequenada faz é: eles não se cansam de estarem pendurados de cabeça para baixo?




Contrariamente à grande maioria dos animais, incluindo os seres humanos, que temos que fazer força para fechar as extremidades dos nosso membros, os tendões dos morcegos sofreram adaptações de tal maneira que a postura de estarem pendurados não requer qualquer gasto de energia ou força, já que o seu próprio peso faz como que a exterminada dos dedos dos pés fechem por intermédio de um tendão adaptado para o efeito. Deste nodo, a postura de pendurado de cabeça para baixo não requer qualquer contração muscular e esta adaptação é tão eficaz, que muitas vezes são encontrados morcegos mortos nesta posição.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Anilhagem de morcegos



É reconhecido que a anilhagem de morcegos é um método largamente utilizado em todo o mundo e que tem como objetivo geral o estudo de populações a longo prazo e de migração. Veja-se aqui este exemplo de Migração de Pipistrellus nathusii, alguns dados de anillagem em Portugal ou dados pontuais de migração regional do Miniopterus schreibersii no Norte de Portugal. Assim a anilhagem pode ser utilizada para estudos de movimentação espacial, dispersão, longevidade ou estrutura social, já que esta técnica permite uma identificação inequívoca do individuo, premissa essencial neste tipo de estudos.

Contudo, a aplicação desta técnica, requere um conjunto de premissas fundamentais, nomeadamente anilhas adequadas e fornecidas por uma organização nacional ou internacional que congregue a informação da anilhagem numa base de dados para futura consulta, licença emitida pela entidade competentes para os devidos efeitos e um objetivo concreto ao qual se destina a anilhagem.


Uma das espécies mais anilhadas, quer pela sua característica migratória e quer pela tipologia de abrigos que utiliza é o Miniopterus schreibersii.



E umas das técnicas de captura mais adequadas a este tipo de espécie (cavernícolas) é a captura através de armadilhas de harpa, que consistem em painéis (simples, duplos ou triplos) de monofilamentos verticais, nos quias os morcegos embatem e são recolhidos e acondicionados numa bolsa de plástico, que devido a sua superfície lisa, impede que os morcegos possam subir e sair da bolsa.


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sábado, 19 de agosto de 2017

Espécie com Informação Insuficiente (DD)

Um taxon considera-se com Informação Insuficiente (DD) quando não há informação adequada para fazer una avaliação direta o indireta de seu risco de extinção, com base na sua distribuição e/ou estado da sua população. Um taxón incluído nesta categoria pode estar muito bem estudado e a sua biologia ser bem conhecida, mas se faltarem dados adequados sobre a sua distribuição e/ou abundância, não poderão ser incluídos em nenhuma categoria senão esta.

A classificação de um taxon nesta categoria, indica que é necessário mais informação e que seja reconhecido que a investigação futura aporte uma classificação diferente que poderá ser de conservação desfavorável ou não.

Deste modo é necessário fazer uso de toda a informação disponível. Das 25 espécies registadas para Portugal Continental 9 estão classificadas com Informação Insuficiente (DD).

Em 2010 apresentamos um Poster no congresso SECEMU com os dados recolhidos à data sobre estas espécies, os resultados eram os seguintes:
Barbastella barbastellus – registo em 8 quadrículas 10X10 UTM
Hypsugo savii – registo em 12 quadrículas 10X10 UTM
Myotis emarginatus – registo em 3 quadrículas 10X10 UTM
Myotis mystacinus – registo em 3 quadrículas 10X10 UTM
Nyctalus leisleri – registo em 9 quadrículas 10X10 UTM
Nyctalus noctula – registo em 1 quadrículas 10X10 UTM
Nyctalus lasiopterus – sem registo
Plecotus auritus – registo em 5 quadrículas 10X10 UTM
Tadarida teniotis - sem registo

Passados quase 7 anos este são os novos dados.

Todas estes dados estão disponível no nosso blog, para isso basta selecionarem a espécie através do “scroll” que está de baixo da entrada “Mapa de Observações de Morcegos” na barra lateral deste Blog.

Barbastella barbastellus
Mapa de registos de Barbastella barbastellus 


Hypsugo savii
Mapa de registos de Hypsugo savii 


Myotis emarginatus
Mapa de registos de Myotis emarginatus 


Myotis mystacinus
Mapa de registos de Myotis mystacinus 


Nyctalus leisleri
Mapa de registos de Nyctalus leisleri 


Nyctalus noctula
Mapa de registos de Nyctalus noctula


Nyctalus lasiopterus
Mapa de registos de Nyctalus lasiopterus 
Plecotus auritus
Mapa de registos de Plecotus auritus 


Tadarida teniotis
Mapa de registos de Tadarida teniotis

domingo, 16 de julho de 2017

Mães & crias (parte II)

 Colónia de criação de Myotis mystacinus

 Uma fêmea de Rhinolophus hipposideros e a sua cria

 Colónia de criação de Myotis daubentonii

Colónia de criação de Rhinolophus hipposideros

terça-feira, 13 de junho de 2017

Mães & crias

Myotis myotis fêmea com cria recém nascida debaixo do patágio

O fator que mais influencia o ciclo reprodutivo dos morcegos são as condições meteorológicas, diretamente essências para o desenvolvimento mais rápido das crias e na disponibilidade de presas durantes a gestação, de modo a garantir um desenvolvimento adequado do embrião. Para tal, os morcegos nas zonas temperadas dão à luz durante o período de final de Primavera e Verão.
Duas fêmeas de Rhinolophus ferrumequinum com uma cria cada 

3 crias de Rhinolophus ferrumequinum

As fêmeas de morcego desenvolveram uma característica fisiológica, de modo a sincronizar o desenvolvimento embrionário e das crias com a maior disponibilidade de alimento. Embora as cópulas sejam realizadas no final do Verão início de Outono, elas têm a capacidade de atrasar a fertilização, armazenado o esperma ou atrasando a implantação do ovo no útero.
Colónia mista de criação de Myotis emarginatus e Rhinolophus ferrumequinum e hipposideros

Normalmente as crias de morcegos nascem relativamente indefesas, contudo o seu tamanho é relativamente grande, quando comparados com outros mamíferos, já que podem nascer como 1/5 a 1/3 do tamanho das mães. Os primeiros dias de vida das crias são passados agarrados à mãe, e ao contrário dos humanos e da maioria dos outros mamíferos, nascem já com dentes.
Fêmea e cria de Rhinolophus hipposideros

As crias de morcegos têm um desenvolvimento muito rápido e ao fim dois meses estão totalmente emancipados.
Pequena colónia de criação de Rhinolophus hipposideros

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Moscas, para que vos queremos?


É certo que as moscas não são o grupo de animais que mais interesse desperta à generalidade das pessoas, principalmente agora que as temperaturas começam a subir. No entanto, este grupo de insetos assume, em muitos casos, um papel extremamente importante no equilíbrio e funcionamento dos ecossistemas. 

fly, mouche

É importante perceber que o grupo artificial a que chamamos moscas, é, na realidade, constituído por espécies que nem sempre são verdadeiramente moscas. As verdadeiras moscas são insetos da ordem Díptera (com dois pares de asas) e da família Muscidae que se identificam pelas suas antenas de três segmentos sendo o segmento apical plumoso. Este grupo é extremamente diverso estando descritas cerca de 4000 espécies e mais de 100 géneros.

fly, mouche

Embora sejam mais conhecidas por serem “chatas” e pelas doenças que podem transmitir aos humanos, do ponto de vista ecológico este grupo de insetos desempenha alguns serviços essenciais nos nossos ecossistemas.

fly, mouche


Por exemplo, as moscas são, a par das abelhas, um dos principais insetos polinizadores sendo assim responsáveis pela frutificação de inúmeras espécies de plantas selvagens ou agrícolas.

fly, mouche

Quando as suas larvas se alimentam de, por exemplo, carne em decomposição, embora não seja muito agradável, estão a contribuir decisivamente para correto funcionamento do ciclo de nutrientes.

fly, mouche, Sarcophaga haemorrhoidalis

Também do ponto de vista científico, este grupo tem sido importante quer seja enquanto modelo experimental (por exemplo o género Drosophila utilizado em tantos estudos genéticos) ou enquanto ferramenta de determinação da data de morte, que tantas vemos em séries de investigação criminal.


fly, mouche


De uma perspetiva um pouco diferente também podemos pensar na importância deste grupo enquanto alimento de outras espécies como peixes (ex. truta), mamíferos (ex. morcegos) répteis ou diversas espécies de aves. 


fly, mouche

fly, mouche